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sábado, maio 15, 2004


Kill Bill


Quando reunidas as condições certas, componha o caro leitor mui clarificador teste: 1) aproxime-se de um animal que dorme no canto de um sofá, na borda de uma cama; 2) Não permita ao animal em sono profundo aperceber-se da sua presença; 3) Empurre o animal em questão de forma a que caia no chão; 4) Observe a reacção.

Se seguir correcta e metodicamente todos os passos acima descritos, o leitor chegará à seguinte conclusão: o animal reage no primeiro milésimo de segundo em que se encontra no ar e, logo nesse momento, prepara a abordagem ao solo. O animal não pensa. Reage.

Empreenda o mesmo teste com um humano e o resultado será radicalmente oposto. O humano também se apercebe de algo errado no primeiro milionésimo de segundo em que se encontra no ar. No entanto, não reage. O humano pensa. E no que pensa o humano? Porque cai o humano? Porque, na realidade, o humano não pode estar a cair.

Somos pessoas seguras mesmo quando pensamos o contrário. Não, a caminhar no passeio não vamos cair. Não, o pneu não rebenta. Não, a água em brasa não nos cai em cima. Não, não caímos da cama quando, seguros, dormimos. Por isso não evitamos o acidente. Alguns milionésimos de segundo em que o nosso ego nos prega uma partida, quando não, isto não acontece. Quando largamos o nosso ego, quando descemos ao patamar do animal, do instinto, então reagimos. Esse momento é, frequentemente, a queda.

Peguemos no caso de Budd. Uma black mamba no centro de um milhão de dólares. A “encarnação do diabo” camuflada entre todos os sonhos do ser humano. Isto não é possível pensou ele. Não reagiu, e a serpente mordeu. Um animal teria fugido ou atacado no primeiro milionésimo de segundo, que é para ele igual a todos os outros mas que, para nós, os humanos, é a surpresa do inesperado.

O inesperado então existe? Não. O inesperado é apenas uma situação perfeitamente normal quando acontece. É tão anormal como bebermos um copo, encontrar um amigo, lavar os dentes, ou acordar. A única diferença é que é a única altura em que não devíamos apenas pensar em nós. Enquanto escrevo estas linhas, fico cada vez mais confuso a cada nova letra que teclo. Ao meu lado, o meu cão dorme profundamente, e nem sabe porquê.








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