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sexta-feira, novembro 12, 2004


O comentador freak


Os antigos espectáculos de circo em que humanos “diferentes” eram exibidos mediante o pagamento de um bilhete são actualmente apenas explorados em filmes e documentários. Prática condenável e desumana, em boa hora foi abolida quando a humanidade evoluiu na sua forma de pensar e ver o mundo. Nesses dias do passado existiram dois tipos de freaks: os que colocavam deficientes em exposição; e os que pagavam para os ver. Mais uma vez, tudo acabou, nós evoluímos. Será? Parece que nem todos. David Rodrigues, professor universitário, assina hoje um artigo no Público, que o coloca perante a sociedade como um freak moral. Atira-se ferozmente à campanha publicitária da Sagres Preta que associa a cor da bebida ao humor negro. “A campanha desta cerveja já nos habituou a slogans sexistas”. Alto e pára o baile. “Os homens preferem as louras” ? Será a esta frase que o professor se refere. Será isto que é condenável. Deverá ser abolido? Seja, então. Assim como todas as anedotas sobre louras. E já agora, sobre alentejanos, negros, chineses, brancos, etc. Não sejamos mais tarde considerados uma sociedade sexista e racista, o melhor é abolir realmente todo este tipo de piada. Condenável ao que parece. E retire-se também o filme com o mesmo título das prateleiras de todos os clubes de vídeo juntamente com qualquer filme que embargue num tipo de humor sexista ou racista. O professor continua da seguinte forma: “... mas agora passou das marcas; está a rir-se boçalmente do nascimento de uma criança deficiente”. Aqui, confesso, o senhor atingiu profundamente no limite da minha paciência. Existem sempre limites que não se devem ultrapassar. Neste caso, a boçalidade que nos provoca um artigo de opinião. Não, caro professor, não nos rimos de uma criança deficiente. Rimo-nos do nascimento de uma orelha, que ainda por cima é surda. Rimo-nos do exagero, rimo-nos do absurdo. Abolimos então todo o humor negro e absurdo. Abolimos os Monty, qualquer anedota deste género, qualquer livro, e qualquer filme que explore este tipo de humor, a seu ver, condenável. Abolimos a catarse social.

O humor negro sempre foi um processo natural e saudável de catarse. Em anedotas e filmes, já nos rimos de cegos, surdos, mudos, e outro tipo de deficiência. Sim, rimo-nos. O importante é que se possa rir, e não gozar, menosprezar, ou excluir. Porque a rir aprendemos a lidar com assuntos que “nos incomodam”. Porque certas diferenças não conseguimos ainda aceitar naturalmente, e ao rir, aprendemos que são normais, tão normais como nós próprios. A diferença está em rirmo-nos de uma piada de mau gosto, ou assumirmos um comportamento perante os outros que é em si uma piada de mau gosto.

David Rodrigues aconselha-nos a escolher outra marca de cerveja como forma de protesto e “vingança” às opções publicitárias da Sagres. Eu, por outro lado, também gostaria de aconselhar as pessoas a considerar o artigo de David Rodrigues uma autêntica anedota. Mas não o faço. Primeiro, porque gosto da liberdade de cada um pensar pela própria cabeça, avaliar por si próprio, escolher o que quer. Segundo, porque nunca irei aconselhar a ninguém, uma piada de mau gosto, boçal, e desprovida de graça.








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