Elliott Smith
Strung Out Again



Leituras Recomendadas:


The Bible According to Mark Twain
+
Animal Behavior






a causa foi modificada
alexandre soares silva
estado civil
joão pereira coutinho
melancómico
voz do deserto



100nada
a aba de heisenberg
a origem das espécies
a sexta coluna
achoeu
adufe
amor em part-time
blogame mucho
bomba inteligente
contra a corrente
daltonic brothers
fábrica lumière
homem a dias
mar salgado
marretas
papoila procria
posto de escuta
a praia
quase famosos
rititi
senhor carne
theoldman








cinecartaz
guardian film
rotten tomatoes
nytimes movies
the film file
sight&sound
all story
filmfestivals.com
faber&faber film
eternal gaze
cineguia
icam



<








This page is powered by Blogger. Isn't yours?


domingo, dezembro 12, 2004


No baú (os textos de 2004), 1


Memória genética
Quem partilha o seu lar com um cão já ouviu, certamente, o seu companheiro de quatro patas ladrar, rosnar, e até ganir. Mais raro é o uivo. Um cão pouco uiva (alguns podem até nunca chegar a fazê-lo), mas quando utiliza esse dote vocal sentimo-nos transportados a um local estranho, e percorre-nos o corpo uma sensação inexplicável. Se caminharmos até a um tempo, milhares de anos atrás dos dias de hoje, veremos uma comunidade de seres humanos ancestrais. Capturaram uma loba e o seu lobito. A progenitora arde lentamente sobre o fogo libertando odores que prometem acariciar dentro de momentos os estômagos primitivos. Uns metros ao lado, uma criança brinca com o lobito. Os seres humanos observam, analisam, e compreendem. O lobo é domesticável. Num processo de selecção lobos mais ferozes e fortes ajudam na caça, outros mais dóceis acompanham as crianças. Separam-se os lobos aos poucos, cruza-se uma característica, adiciona-se outra, isola-se, cria-se. Milhares de anos à frente no tempo, uma comunidade de bairro. Uma criança brinca com o seu boxer, um casal passeia altivamente o seu Grand Danois, um Setter voa no ar caçando um disco de plástico, um Labrador guia um invisual. Todos eles, um exemplo gritante de Generation Gap, numa linhagem que acaba no lobito e que hoje se mostra com mil e uma variações. Uma das impressões genéticas nunca se apagou. O uivo. Quem sabe essa sensação estranha ao ouvi-lo não é algo que, também em nós, ainda não se apagou desde o tempo em que pintávamos na pedra.
26 de Fevereiro de 2004








Google
WWW A Origem do Amor