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sábado, janeiro 08, 2005


Deus e a Terra, ou a Terra e Deus


A televisão mostra mais imagens de dor e sofrimento. Números impensáveis de vítimas e desocupados desfilam em rodapé: tragédia + 1000, horror + 20000, impossível + 100000.
A Dona C., proprietária do café que frequento, olha de soslaio a televisão e por alguns segundos vê-se que tenta compreender. Na ausência de justificações e culpados talvez recorra ao escape inabalável da fé, mas até esse está caído por terra. Um maremoto de grandes dimensões destrói Deus, e a perfeita criação humana falha redondamente o seu objectivo máximo: explicar.

Um minuto de silêncio; Três minutos de silêncio; Quatro, Seis, ou Dez, e os primeiros segundos são sempre iguais: Eu; Isto pode acontecer-me; Como posso proteger-me; Posso morrer; Eu. E morrer é a maior contradição à nossa existência. Morrer contraria a mensagem que o nosso código genético nos grita diariamente: Sobrevive. A Terra criou-nos assim, como a todos os outros seres vivos, com o objectivo de viver e procriar durante um período de tempo limitado. Servimos os seus interesses e quando partimos ela continua a girar, e a gerar. Espécie após espécie, família após família, reino após reino. Nesta procura por um equilíbrio, que não terá tempo de ser atingido, acabámos por ser capazes de pensar e, quando a terra acomoda e encaixa as suas placas profundas, a nossa maravilhosa capacidade produz em nós o medo do desaparecimento e do fim. A mesma terra que nos ordena a viver é a que nos colhe.

Criámos Deus. Criámos algo sublime, grandioso e, principalmente, invisível. Não o vemos, mas está lá; Não precisamos de prová-lo, mas senti-lo; Criámos o que não necessita de explicação para justificar o inexplicável. O nosso inexplicável. Porque friamente analisando o que se passou na Ásia, tudo tem explicação. Duas placas que se encostam, uma onda que se forma e que varre vários seres vivos. Centenas de milhares de seres vivos. É o número que nos choca, porque ultrapassa a nossa escala do inexplicável, e abala até a nossa criação.

Dona C. afasta os pensamentos da sua cabeça. À noite ao deitar, talvez reze ao seu Deus, mas sem o questionar. Pedir-lhe-á que olhe pelos que sobreviveram, pelos seus, e por si própria. Não irá culpá-lo, não questionará a sua presença e as suas vontades. Desta forma não se sente só. Dona C. aceita os desígnios de Deus mas, na verdade, está apenas a aceitar os desígnios da Terra. Se a Terra quiser, amanhã Deus vai querer que ela continue a girar.








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