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terça-feira, janeiro 18, 2005


O Anti-gozo


Um bom benfiquista como eu – dos que se arrepia com o hino – mantém o Mourinho entalado na garganta. Secretamente, o bom benfiquista deu razão a Mourinho quando este lançou o ultimato contratual a Vilarinho e, nos anos do Porto – somos os máiores, e eram mesmo – o bom benfiquista odiava Mourinho. As baterias intermináveis das vitórias rufavam aos ouvidos dos vermelhos e, juntando-se ao coro das declarações de José, alimentavam um ódio que não se podia aguentar mudo. Porém, um outro sentimento, no qual apenas pensar já constituía pecado, confundia o benfiquista: o desejo do amor. Era o sonho imaginado; o regresso de José ao clube; as vitórias que novamente trariam a chama eterna; as palavras corrosivas lançadas ao rival do norte proferidas pelo novo líder do balneário que o sol, risonho, vinha beijar. A batalha das emoções contraditórias é dolorosa demais para o ser humano e, quando ocorre, necessita de recorrer a um processo de catarse. A terapia do bom benfiquista foi encontrar uma explicação: o palhaço.

Estava então resolvido o problema. O Mourinho não perde há treze jornadas? É um palhaço. Ganhou a taça UEFA? Isso é prémio para palhaços. Campeão europeu? Palhaço!
Mas o bom benfiquista esteve sempre enganado pois, na verdade, o palhaço era ele. Fomos a encarnação da versão pobre que diverte os outros com as suas piadas para depois chorar na solidão do camarim.
Mourinho nunca foi o palhaço. Mourinho foi, e sempre será, o anti-gozo. E sobre isso, nenhum de nós se atreve a gozar.








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