Elliott Smith
Strung Out Again



Leituras Recomendadas:


The Bible According to Mark Twain
+
Animal Behavior






a causa foi modificada
alexandre soares silva
estado civil
joão pereira coutinho
melancómico
voz do deserto



100nada
a aba de heisenberg
a origem das espécies
a sexta coluna
achoeu
adufe
amor em part-time
blogame mucho
bomba inteligente
contra a corrente
daltonic brothers
fábrica lumière
homem a dias
mar salgado
marretas
papoila procria
posto de escuta
a praia
quase famosos
rititi
senhor carne
theoldman








cinecartaz
guardian film
rotten tomatoes
nytimes movies
the film file
sight&sound
all story
filmfestivals.com
faber&faber film
eternal gaze
cineguia
icam



<








This page is powered by Blogger. Isn't yours?


segunda-feira, janeiro 24, 2005


Todo o tempo do mundo, têm todo o tempo do mundo



Todo o tempo do mundo...

Consultemos o dicionário: Tempo, duração limitada, por oposição à ideia de eternidade.

Tal definição só faz sentido para os queixosos do tempo. Os que afirmam não o ter, ao tempo. Os ocupados, os da correria, da azáfama. Existem no entanto outros que não possuem limites, tendo assim todo o tempo do mundo. E ter todo o tempo do mundo, o que será senão não ter nada para fazer? E haverá quem não tenha nada para fazer? Claro que há. São os propagandistas do objectivo mutante. Para estes, o objectivo máximo a alcançar sofre de uma rara mutação genética que, conforme um conjunto de factores tais como o ambiente em redor, a direcção do vento, ou a pressão atmosférica, assume variadas formas exteriores. O curioso nestes organismos, é que possuem uma forma inteligente de mudar de forma sem que nos apercebamos de tal mudança e sem nunca revelar a sua verdadeira estrutura interna – só visível após demorada observação – essa sim inalterável. Estes organismos, sem limites, ocupam a sua vida na procura do tal objectivo máximo. O que hoje é principal, amanhã é secundário; o que hoje é verdade, amanhã será mentira; o que hoje é bandeira, amanhã será tapete.

Eu tenho praticamente todo o tempo do mundo e aviso-vos que é uma das piores coisas que se podem desejar. A ideia de eternidade passa a ser uma realidade presente a todas as horas, e a ausência de durações limitadas permite-nos a dispersão que afasta a calma necessária para o prazer. O prazer que só os que não têm tempo podem saborear. Também eu altero frequentemente o objectivo a alcançar e, muitas vezes, a prossecução de uma tarefa é abruptamente interrompida e abandonada. Serei eu então um propagandista do objectivo mutante? Não. Algo muito claro me separa desses organismos. A ausência de propaganda. As minhas mutações ocorrem à vista de todos. Nada é feito às escondidas, e mesmo quando o exterior muda, até o primeiro olhar (que é um ceguinho) permite observar que a natureza interior permanece inalterável.

Porém, sofro das mesmas maleitas de todos os que têm tempo a mais. Mudanças repentinas de humor, irritação frequente, depressões, e insónias. Se bem que a insónia não seja de todo má. A ausência de sono mantém-nos acordados, bem despertos. Enquanto os outros dormem, é nos dada uma segunda hipótese, fora de horas, para observar. Permite-nos sair de manhã, para a rua, com um olhar cansado mas mais observador e, por exemplo, apreciar o sorriso das crianças a caminho da escola, mas ao mesmo tempo reparar que todos o apreciam, mesmo os que não têm tempo para o fazer.
Permite-nos ver as pessoas de outra forma, menos apressada, que resulta numa melhor observação e análise, e distinguir – entre todos – quais são os propagandistas do objectivo mutante. Os que fingem estar ocupados, e que também observam, mas para servir um propósito predador, passeando-se furtivamente por detrás da folhagem esperando uma distracção dos ocupados para caçá-los furtivamente. São organismos perigosos em desenvolvimento. E com todo o tempo do mundo para crescer.








Google
WWW A Origem do Amor