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segunda-feira, janeiro 03, 2005


Um grito mudo


No conturbado processo eleitoral na Ucrânia o símbolo utilizado pelos media foram as imagens de Yushchenko, o antes e o depois, a tentativa de silenciamento impressa num rosto desfigurado. O próprio Yushchenko, dias depois do escape in extremis, discursou perante o parlamento ucraniano avisando: - “Não me perguntem quem é o próximo. Qualquer um de vocês será o próximo. Quando me perguntam como evitei um destino certo, a resposta é uma dose errada no momento errado e estando os meus anjos acordados. Vocês sabem bem quem é o assassino: O governo”
O envenenamento abriu blocos informativos, ilustrou primeiras páginas de jornais, e correu o mundo. Mais do que a fraude eleitoral, mais do que as manifestações da “revolta laranja”, a intoxicação foi o símbolo da opressão, o veículo da indignação. A revolta e vontade de justiça de um povo só ganha força quando aliada à vontade da comunidade internacional, sendo então necessários os símbolos visuais, transmitidos em milhões de lares, para que a indignação se transforme em pressão. Uma pressão à qual Yanukovych não conseguiu fugir.
O maior símbolo, porém, não percorreu as ondas hertzianas internacionais. Enquanto os media, fora da Ucrânia, denunciavam a falsidade do escrutínio eleitoral, os media ucranianos viam-se obrigados a “assinar” a vitória de Yanukovych por mais de um milhão de votos, sem transmitir ou noticiar as manifestações em Kiev. A Ucrânia mantinha-se surda à realidade. Foi então que no canal UT-1 enquanto era mais uma vez anunciada a eleição de Yanukovych, o intérprete para linguagem gestual traduzia a notícia da seguinte forma: “Os resultados são forjados, não acreditem neles”. Este acto de coragem acendeu o rastilho. Seguiram-se greves dos jornalistas, os canais transmitiam desenhos animados em loop, até que as televisões viram-se obrigadas a ceder e a transmitir e noticiar a verdade para o povo ucraniano. Daqui para a frente, o mundo conhece o resultado. Para a história fica este símbolo que quase passou despercebido. Um intérprete, num pequeno quadrado no canto inferior da imagem, alertando o seu povo para a verdade. Um grito mudo, em pleno século XXI.

(Fonte: o caso do intérprete encontra-se num artigo da edição de 13 de Dezembro da New Yorker intitulado Letter from Kiev escrito por Andrey Slivka)








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