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quarta-feira, fevereiro 16, 2005


O eleitor masoquista


Quando escrevi o meu primeiro conto enviei-o por email a um amigo, cuja escrita muito estimo, para que me desse a sua opinião. Respondeu sem rodeios. Gostava da história, mas apontou metáforas exageradas e analogias forçadas. Em vez de me dar a tão portuguesa palmadinha nas costas, deu-me o carolo infantil.
O carolo consiste em cerrar o punho e desferir uma pequena e rápida pancada no topo da cabeça de alguém. Muitos entendem-no como uma forma de humilhação mas, na verdade, o carolo é um incentivo em forma de aviso. Aquele movimento parece dizer-nos – toma atenção puto – mas não consegue esconder o carinho que lhe está subjacente. O carolo pretende despertar o amigo. Já o murro, que pertence à categoria do abate, tem como função principal derrubar o adversário. O murro também não esconde segundas intenções. É directo. É um odeio-te, um desaparece, um claro manifesto de desagrado para com o próximo. O murro e o carolo parecem, à primeira vista, golpes bem diferentes, mas partilham em comum o facto de serem ambos movimentos secos e rápidos com um objectivo bem definido. Ambos são claros na sua mensagem. São golpes, mas não são sujos. Por sua vez, a palmadinha nas costas é a forma mais imunda de tocar alguém. É o passar a mão pelo pêlo, acompanhado do sorriso cínico, e a mensagem que transporta nunca é clara. Quase sempre, desejos obscuros acompanham as suaves pancadas da mão camufladas de companheirismo e boa disposição. A palmadinha nas costas é o manifesto mais violento de desprezo.
Estamos na recta final para as legislativas. Durante toda a campanha tenho lido as palavras dos candidatos em campanha, escutado as suas declarações, analisado os seus rostos. Cheguei até a tentar ler-lhes nos olhos. Porém, infelizmente, em nenhum deles leio, ouço, vejo, ou mesmo vislumbro, a mensagem que desejava: Uma promessa de um carolo, um murro, ou até mesmo um estalo bem desferido na minha pessoa e em todos os portugueses. Nada! Só festinhas, carícias e mimos. Eu que queria a promessa de um enxoval de porrada recebo em troca mais palmadinhas nas costas. No domingo vou ter que desenhar uma cruzinha, e o que mais me custa é que seja ela de que cor for - ou de cor nenhuma - vou sair da junta de freguesia com a mesma sensação: ter dado a mim mesmo a palmadinha que tanto quis evitar.








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