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segunda-feira, fevereiro 14, 2005


O Horizonte (1995-2005)


Fui chamado a decidir há dez anos atrás. Pela primeira vez eu podia votar numas eleições legislativas, atingira a maioridade necessária para participar no sufrágio nacional. Mas só o meu bilhete de identidade o comprovava. O cabelo alourado pelo sol, a pele queimada pelo sal e o sorriso constante rasgado na face denunciavam-me: as minhas maiores preocupações não passavam pelos destinos do país, mas pela diferença entre meio metro ou metro e meio na Costa da Caparica. A única opinião que me interessava era a dos meus pares sobre a minha prestação na última onda; o meu jornalismo de eleição eram as revistas de surf; os meus locais de tertúlia não cheiravam a charuto mas sim a coco e baunilha diluídos numa barra de cera. Sentava-me na prancha e ali ficava, embalado pela suave ondulação, olhando o horizonte, à espera de algo. Não pensava em nada. As ondas acabavam sempre por chegar, e mesmo quando cessavam de o fazer eu sabia que no dia seguinte lá estariam novamente. Não era uma esperança, era uma certeza.
Hoje, uma década depois, sentado no escritório de casa, leio as notícias na imprensa, as colunas de opinião, e dou por mim a pensar demasiado. Dou por mim a olhar novamente o horizonte, agora desprovido de qualquer certeza, tentando descobrir algum sinal de esperança, alguma ténue ondulação e, mais uma vez, como há dez anos atrás, vou ser chamado a decidir. Olho por detrás da porta. A prancha ainda lá está, excessivamente seca, demasiado abafada no íntimo do seu saco bafiento. Olho pela janela. Olho para os jornais. Olho pela janela. Olho para a prancha. Olho para o espelho.








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