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sábado, fevereiro 05, 2005


Sobre Coisas


A Carla tem toda a razão. Há coisas que melhoram algumas vidas. Mas não só. Mais importantes, raras – daí fascinantes – há coisas que são a vida: Jaromil, o sofrido poeta de Kundera; a figura próxima – mas não presente – do Hotel Room de Hopper; as notas sucedâneas que se perseguem no Nocturne in B flat minor de Chopin. Coisas que não procuramos.
Observo as pessoas que caminham, quando caminho na rua, e reparo que olham em frente. É uma capacidade notável do ser humano, essa de seguir em frente, com os olhos postos num objectivo, numa meta, num destino. E como não olham – não olhamos, não olho – para o chão, a vida, aleatória como só ela sabe ser, prega-nos partidas. Tropeçamos. Encontramos coisas que não prevíamos, que não esperávamos pois nem sequer ainda as concebíamos como presentes, quanto mais como possíveis. Frequentemente, são coisas que melhoram algumas vidas. Mas não só. Há coisas, algumas, já o disse, que são a vida.
Isto a propósito de um documentário que acaba de ser transmitido n’ A Dois. The Working Of Utopia, um maravilhoso documentário de Donya Feuer sobre a arte do bailado. "A Utopia da Perfeição é um fascinante documentário sobre a busca de um ideal: um olhar sobre ensaios de bailado, uma arte nunca acabada e sempre à procura da perfeição”, assim confessa a sinopse. E o que procuramos nós constantemente senão esta perfeição? E o que queremos nós descobrir senão quais os nossos ideais, os que nos darão uma qualquer certeza sobre um rumo? E lá caminhamos – caminho – em frente, sempre em frente, e lá tropeçamos mais uma vez.
Desta vez, como em outras, raras, deixei-me ficar sentado no chão, observando a beleza de dois corpos em sintonia assimétrica. E porquê? Porque parar, de quando em quando para compreender, aceitando, o imprevisto, é umas das tais coisas que melhoram algumas vidas. Mas não só. Há outras, poucas, que são a própria vida.








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