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quinta-feira, setembro 29, 2005


Agora sim... O post sobre o curso


Chegam à caixa de correio várias mensagens de leitores e amigos que querem saber mais sobre o cartaz do post anterior. Neste blogue, e desde a sua mudança de nome, design, e conceito, habituei-me a posts curtos, frases, momentos, e pequenas divagações. Desapareceu o estilo mais pessoal de partilha, com textos maiores, que os leitores apreciavam. A mudança no estilo impôs-se porque vivo a experimentar o desconhecido. O blogue irá voltar ao seu novo formato, mas antes, impunha-se este último texto mais longo. O curso de realização de cinema da Gulbenkian despertou a atenção de muitas pessoas e serve este texto para partilhar com vocês como foi essa experiência.

O cartaz abaixo é obviamente o resultado do curso, uma curta-metragem com a duração de cinco minutos. O que foi então o curso? Numa palavra poderíamos dizer: renascer. Um dos pré-requisitos de inscrição era experiência prévia na área do cinema, o que mostrou desde o inicio que a teoria inicial da realização não faria parte do programa. O que nenhum de nós esperava era que a teoria dada durante o curso fosse tão reduzida. Mais ao menos: zero.

Começamos obviamente pelo guião. Cada um de nós trazia uma ideia, uma sinopse, e teria que transformá-la num guião. E no primeiro dia, começou a tortura. Uma mesa redonda, doze pessoas, doze projectos. Cada pessoa teria de apontar o que achava mal em cada projecto e durante o processo o responsável do projecto não poderia contrapor, responder, ou justificar-se. Por outras palavras, não podia escapar e escudar-se. A única forma de defesa seria no dia seguinte apresentar mudanças que achasse necessário, pois nesse dia, e no próximo, e no próximo, a mesa redonda existia sempre. Os ingleses da London Film School, e a argumentista Margaret Clover, trouxeram uma novidade ao guionismo português: Confronto. Depois de três semanas de escrita, rescrita, copy, paste, delete, delete, delete, delete, a afinação dos guiões estava completa. A maior parte dos guiões, com 3 a 5 minutos de duração estavam no que se chama o “Final Draft”, que neste caso representava a oitava versão. Passado este processo e depois de alguma ginástica de adaptação ao ritmo percebíamos como iriam ser os restantes dois meses: Trabalho ininterrupto, seguido de trabalho, e aproveitando os tempos livres para trabalho.

Realização, Direcção de Fotografia, Operação de Câmara, etc, todos os “módulos” seguiam o mesmo rumo. Uma aula de pequenas explicações e a seguir metiam-nos o equipamento nas mãos. Era quase um salve quem se puder com os formadores sempre a observar à distância e só intervindo em caso de extremo pânico. As aulas lá iam continuando e nos buracos (poucos e curtos) que nos dispensavam era tempo para: procurar locais, assegurá-los, fazer castings, convidar e convencer actores, tratar da produção, assegurar guarda-roupa, pensar a decoração, etc. Os projectos não saiam das nossas cabeças durante 24 horas. Nem da cabeça dos formadores. Aqui, algo tem de ser assinalado. O director do curso, o inglês Colin Tucker, sempre presente, conhecia e acompanhava os projectos tão de perto que lhe poderíamos perguntar os diálogos de um dos filmes e ele os repetiria tal como estavam no guião. Esta era a prova que mesmo “operando na sombra” o curso estava controlado e em caso de emergência ou erro grave seriamos alertados. Estávamos sozinhos e entregues a nós próprios mas nunca nos sentíamos assim. E tínhamos o grupo onde arranjávamos a força, a discussão de ideias, a partilha de conhecimentos, e a tentativa de responder a dúvidas. Habituámo-nos a confiar uns nos outros e no trabalho dos outros. Precisámos disso para a fase da rodagem.

O grupo foi partido em duas partes. Duas equipas de seis pessoas. E 11 dias frenéticos de rodagens. Se Sábado e Domingo eu era director de fotografia no “Clube da Esquina”, na Segunda era operador de câmara, para na Terça estar a realizar a bordo de um cacilheiro, e na Quarta e na Quinta estar a gravar som em Alcochete. Foi a fase da adrenalina, da entreajuda, das olheiras. E por exemplo, como se faz a direcção de fotografia num bar do bairro alto? Chega-se de manhã sem saber. Vemos 7 projectores e tripés numa carrinha, caixas com dezenas de filtos, reflectores, etc. E ao fim do dia, de fotómetro na mão, já sabemos como se faz. Aprendemos fazendo. Atiraram-nos às feras e assim nos deixaram, e foi o melhor que podiam fazer.

Depois veio a calma. A montagem, o trabalho de som, as misturas finais. Nestas fases estávamos sós, cada um por si, mas, habituados que estávamos, consultávamos os nossos colegas sempre que tínhamos dúvidas. Esta foi a grande vitória da Gulbenkian: colocou 12 pessoas a partilharem ideias, e a não terem nenhum problema, como autores, a procurarem as criticas dos outros. A aproveitar a critica para repensar o trabalho e mudar se achássemos necessário. Isto é raro no nosso cinema e aqui foi a grande vitória deste curso.

Os resultados? Doze curtas-metragens. Se são de qualidade só o público o poderá decidir. Podem e devem criticar. Para o bem e para o mal. O maior resultado? O grupo que se formou, a metodologia de trabalho, e a experiência fascinante que cada um de nós adquiriu.

O futuro? No meu caso Nova Iorque e a New York Film Academy até Janeiro. No caso dos 12 do curso não há limites. Pois cometeram o erro de nos tirar o “portuguesismo” de colocar barreiras à nossa frente. Tiraram-nos a capacidade de passarmos os nossos dias a apontar os erros do cinema português para nos darem a “pica” para não pararmos por nada, e diante de nada. E por isso, obrigado a: António Pinto Ribeiro, Catarina Vaz Pinto, Colin Tucker, Margaret Clover, Hugh Newsam, João Canijo, Rui Poças, Tony Costa, Vasco Pimentel, e a muitos, muitos outros que estiveram sempre ao nosso lado e a empurrar-nos para o “bom abismo”.








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